Cazaquistão homenageia vítimas de políticas de repressão stalinistas e vítimas da fome

“Cazaquistão marcou no dia 31 de Maio como o dia da Lembrança das vítimas das políticas de repressão e da fome, o dia em que a nação relembra um dos períodos mais obscuros de sua história,” disse o presidente cazaque Kassym-Jomat Tokayev em seu discurso para a população do Cazaquistão, reportou o Akorda.

O dia honra a memória das vítimas das políticas de repressão e da fome, os dois períodos mais devastadores na história cazaque, cada um tendo tirado a vida de milhares de cidadãos cazaques.

“A repressão política da primeira parte do século passado distorceu a vida de milhares de cidadãos da antiga União Soviética. Mais de 100.000 pessoas foram injustamente condenadas no Cazaquistão, e um quarto destas recebeu sentenças de morte,” disse Tokayev.

De acordo com algumas estimativas, mais de 40% da população cazaque morreu de fome em 1931 a 1933 por conta das políticas brutais de coletivização de Stalin.

As repressões stalinistas que se seguiram nos anos de 1930 levaram a vida de milhares de cazaques e resultaram na morte em massa de intelectuais cazaques. Dentre eles, estava o escritor e educador do Cazaquistão Akgmet Baitursynov; o jornalista, professor, escritor e cientista ambiental Alikhan Bokeikhanov; o poeta e escritos Mizhakyp Dulatov; o engrnheiro Mukhametzhan Tynyshbayev; o poeta Magzhan Zhumabqyev; o poeta e escritor Saken Seifullin; o também poeta e escritor Ilyas Zhansugirov; o escritor Beimbet Mailin; o médico militar e cientista Sanzhar Asfendiyarov; e a figura política Turar Ryskulov. Alguns destes foram baleados, outros morreram nos campos. Muitos foram sentenciados à prisão.

Onze campos de trabalho escravo soviéticos foram criados nos territórios do Cazaquistão, onde a população reprimida e suas famílias foram aprisionadas em condições cruéis. Dentre eles, destacam-se o ALZHIR (o Campo Akmolinks para Esposas de Traidores da Pátria-Mãe) na região de Akmola; e o campo de escravidão Karaganda na região de mesmo nome. Estes locais agora servem como memoriais complexos históricos.

O povo do Cazaquistão deu suporte e ajudou milhares de pessoas deportadas para os estepes do Cazaquistão.

“Nações inteiras foram perseguidas. No decorrer da deportação forçada, por volta de cinco milhões de pessoas encontraram abrigo nas terras sagradas cazaques e acharam uma nova pátria. Nossa nação ssuportou uma fome mortal que causou enormes danos ao seu patrimônio genético. A coletivização impiedosa levou a um desastre sem precendentes nas grandes terras, que de fato se tornou um desastre humanitário de natureza global,” pronunciou Tokayev.

Mas as dificuldades que a nação enfrentou tornaram a unidade e a solidariedade mais forte. Tokayed declarou que após conquistarem a independência, o Cazaquistão começou o trabalho de reabilitar os nomes das vítimas da repressão política.

“Ano passado, para completar o processo de reabilitação das vítimas da repressão política, uma comissão do Estado foi estabelecida. Esta tinha a importante tarefa de reestabelecer a justiça histórica de todas as vítimas inocentes do Cazaquistão. Este não é apenas o dever do Estado, como também o dever moral da Sociedade,” pontuou o presidente.

Tokayev declarou que as trágicas páginas da história se tranformaram em parte da identidade nacional e que a memória das vítimas da repreensão política e da fome vão viver por muitos anos que virão.

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