EUROVISION COMO MECANISMO DE PROJEÇÃO DO AZERBAIJÃO: A ESTRATÉGIA DE 2008 A 2012

O artigo tem por objetivo analisar quais foram as estratégias feitas pelo Azerbaijão para se projetar mundialmente através do Eurovision Song Contest, desde a entrada do país na competição em 2008 até sediar o evento em 2021, após sua vitória no ano de 2011.

O Eurovision Song Contest comemorou em 2021 o seu 66º aniversário, já que o  seu primeiro festival aconteceu em 1956. Atualmente, o Eurovision é uma competição internacional de música que acontece anualmente, que contou em sua última edição com 39 países majoritariamente europeus, no qual cada Estado tem o direito de apresentar uma música original.

A estreia do Azerbaijão na competição aconteceu em 2008 em Belgrado, com a dupla Elnur e Samir representando o país, ficando em oitavo lugar no concurso. Já em 2009, o evento aconteceu em Moscou e o país esteve muito próximo da sua vitória, terminando a grande final em terceiro lugar com a dupla AySel e Arash. No ano seguinte, em 2010, Safura, a representante azeri, brilhou nos palcos de Oslo, porém só conseguiu alcançar o quinto lugar na classificação da grande final.

Foi em 2011 em Düsseldorf que a conquista do troféu chegou, com a participação de Ell e Nikki, cantando a música original “Running Scared”. A vitória do Azerbaijão no Eurovision foi de grande comoção para todos o país, no qual, até mesmo um selo em homenagem à Ell e Nikki foi feito. 

Fonte: Caspian News

O evento de 2012 aconteceu em Baku, a capital do Azerbaijão, e o slogan da competição neste ano foi “Light Your Fire”, traduzido como “Acenda seu Fogo”, fazendo referência ao Azerbaijão ser considerado o país do fogo e 42 países participaram dessa edição. Eldar Gasimov, o “Ell”, ganhador da edição anterior, foi co-apresentador do festival deste ano. Com a participante Sabina Babayeva, o país anfitrião ficou em quarto lugar, com a canção “When the Music Dies”, a grande ganhadora da edição 2012 foi a Suécia com Loreen, que era a favorita do público desde o início. Mesmo não tendo ganho a edição, os benefícios de ter sido o anfitrião do evento foi de grande importância para o Azerbaijão.

Fonte: Human Rights House Foundation

O artigo traz também entrevistas de competidores como Eldar Gasimov (vencedor no ano de 2011) e Aisel Mammadova (competidora no ano de 2018), tendo visões diferentes de ambos e entendendo um pouco de suas experiências e backgrounds no evento mundial. Através das entrevistas é possível notar como até após o país ser anfitrião do evento, o marco e o peso que o Eurovision trouxe para o país ainda existe, mesmo após 5 anos da vitória azeri no concurso e 4 anos do país como sede do mesmo, em 2018, ambos ainda carregam o sentimento de gratidão pelas oportunidades que a competição trouxe para todos, principalmente a de poder contar a história do seu país e o fazerem ser cada vez mais reconhecidos internacionalmente.

Ao longo da pesquisa para o artigo foi possível perceber a relação de duas teorias das Relações Internacionais com as estratégias utilizadas pelo Azerbaijão, o termo do soft power, de Joseph Nye da teoria realista; e a do spillover, de Ernst Haas da teoria neofuncionalista. O conceito de soft power de Nye se pode aplicar perfeitamente na estratégia que foi desenvolvida nesse período de tempo pelo Azerbaijão, pois o país decidiu investir em uma cultura para criar uma projeção do seu Estado no mundo. A estratégia azeri foi de uma influência sutil, porém que gerou retorno em 2011 com a vitória no concurso, gerando curiosidade aos outros Estados. O spillover diz que diversas áreas com interesses parecidos ou complementares cooperam entre si. Na prática, é quando o Azerbaijão ao investir economicamente na estrutura e na cultura do país para receber o evento do Eurovision, o país teve um “transbordamento” desse desenvolvimento para outras áreas, como a sua economia e política externa. 

A vitória da pequena ex-república soviética em 2011 no concurso, que para alguns foi inesperada, foi fruto de alguns anos de intensa preparação, trabalho e esforço de uma equipe grandiosa e do governo que investiu nos melhores técnicos para os seus participantes e em divulgação em países fronteiriços pequenos. Essa vitória fez com que o país fosse o foco de todos os canais europeus durante o período do evento e proporcionou uma alegria nacional, até entre os que nem assistiam ao evento.

Muitos se referem ao governo como um fator fundamental na vitória da equipe em 2011, por isto, a vitória no Eurovision aumentou a imagem positiva do atual presidente Ilham Aliyev, que além disso teve grandes ambições como um país sede do evento em 2012, realizando e organizando megaeventos na tentativa de se juntar ao grupo das potências emergentes. Por exemplo, a construção da “Flame Towers” e do “Centro Heydar Aliyev”, ambos cujo processo de construção se iniciou em 2007. Um dos intuitos disto, além dos já ditos neste artigo, se dá também pelo fato de recursos como o petróleo estarem em breve se esgotando, por isso, o presidente busca afastar o petróleo como única fonte de recursos do país, expandindo para outros meios. 

Fonte: Council of Europe

O envolvimento bem-sucedido do Azerbaijão com os ciclos de 2011 e 2012 gerou consultas sobre o Azerbaijão no Google, cujas pesquisas aumentaram oito vezes durante um mês após a vitória do país na Eurovisão em 2011. Para além disto, de acordo com Breaking Travel News, o interesse de viajar para o país aumentou cerca de 4,000% no TripAdvisor.

O marco criado pelo Eurovision no país é inegável, graças ao concurso a Nação azeri conseguiu disseminar seu nome por todo o mundo e em diversas áreas, como cultura, arquitetura, política e economia. Dessa maneira, é possível afirmar que o Eurovision foi o ponto inicial e o maior responsável pelo desenvolvimento e pela projeção internacional do Azerbaijão, levando um conhecimento sobre o país para o mundo e até trazendo novos comércios para o mesmo, que vem com essa estratégia de começar novos recursos e mercados além do petróleo, que um dia acabará.

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