As guerras da Ucrânia e do Azerbaijão: Diferenças e Similaridades

Durante a operação de autodefesa do Azerbaijão na segunda Guerra do Karabakh, a mídia ocidental apresentou algumas ações como ilegais.

O escritor é chefe do departamento de análise de política externa do centro de análise de relações internacionais, sediado em Baku.

Fonte: defesanet.com.br

ISTANBUL

Muitos especialistas internacionais, estão refletindo na guerra Rússia-Ucrânia, considerando no contexto de outros conflitos, especialmente nos de países pós-soviéticos. Como uma região que experienciou diversas guerras, O Sul do Cáucaso tem sido o foco de muitas discussões e comparações. Em 2008, a guerra entre Rússia e Geórgia surgiu do desejo de restaurar sua integridade territorial, nomeadamente a soberania sobre a Ossétia do Sul. Porém, alguns especialistas acreditam que a verdadeira causa das hostilidades foi a candidatura de Tbilisi à adesão à OTAN. Em 2020, o Azerbaijão encerrou 30 anos de ocupação armênia com uma operação militar bem-sucedida chamada Segunda Guerra de Karabakh.

DOIS PADRÕES DA MÍDIA OCIDENTAL: Karabakh e Ucrânia

Alguns estudiosos armênios têm comparado a Segunda Guerra do Karabakh com a entre Rússia e Ucrânia. Tal comparação visa enfraquecer a base legal da operação militar do Azerbaijão. Embora a situação da Ucrânia tenha ganhado suporte internacional, o Azerbaijão tem sofrido profundas injustiças nesse sentido. Os territórios do Azerbaijão estiveram sob ocupação por 30 anos em violação das resoluções relevantes do Conselho de Segurança da ONU, o que reconfirma a integridade do território e ordenou a retirada incondicional de todas as forças que ali estavam ocupando. Entretanto, no caso do Azerbaijão, o agressor nunca foi submetido a sanções. Durante a operação de autodefesa na segunda guerra do Karabakh, a mídia ocidental apresentou algumas ações como ilegais. Ações das quais a comunidade global acharam inaceitáveis na guerra da Ucrânia foram legítimas nos olhos da Armênia durante a segunda guerra do Karabakh.

ATAQUES SIMILARES EM CIVIS PELA ARMÊNIA

Deixe-nos começar com um ataque de míssil na população. Durante a segunda guerra do Karabakh, a Human Rights Watch investigou ataques de mísseis, foguetes e artilharias armênias que atingiram cidades, vilas e aldeias em Aghdam, Barda, Fizuli, Ganja, Goranboy, Naftalan e Tartar no Azerbaijão. A Human Rights Watch disse ter examinado 18 ataques que mataram 40 civis e feriu dezenas mais. A agência nacional de ação contra minas terrestres, descobriram que foguetes de artilharia Smerch não guiados e mísseis balísticos Scud-B foram usados em ataques a Ganja entre 4 e 17 de outubro, matando 32 civis. Os mísseis Scud-B, capazes de carregar ogivas altamente explosivas de 985 quilos, podem errar o alvo pretendido por pelo menos 500 metros.

Além de causar vítimas civis, os ataques armênios destruíram casas, negócios locais, escolas, uma clínica médica contribuiu para o deslocamento em massa. De acordo com o gabinete do procurador geral do Azerbaijão, 98 civis foram mortos e 414 feridos durante o conflito armado. Enquanto a Armênia atacava áreas civis do Azerbaijão com mísseis balísticos, nem mesmo um pequeno foguete foi lançado no território da Armênia pelo Azerbaijão.

Os mesmos Míssel Iskander lançados na Ucrânia foram utilizados na cidade de Shusha, capital cultural do Azerbaijão. O objetivo do governo Armênio, percebendo que estava perdendo a guerra, foi de criar pânico e medo em causar mais mortes civis.

Bayraktar TB2: Antes uma “arma de agressão”, agora uma “salvação”

O Azerbaijão presenciou um ataque híbrido no Karabakh. Em uma mão, o exército armênio atacava áreas residenciais civis com mísseis balísticos. Na outra mão, eles tentavam criar pânico e medo, atingindo locais estratégicos como as barragens e linhas de energia do Azerbaijão. Se a defesa anti-míssil não tivesse funcionado bem naquele dia, uma catástrofe poderia ter ocorrido.

Drones Bayraktar TB2 turcos tiveram um papel ativo na libertação do território do Azerbaijão da ocupação. Com sua ajuda, o Azerbaijão destruiu ou levou como troféus 125 peças de artilharia, 366 tanques, sete sistemas de mísseis antiaéreos S-300, mais de 50 outros sistemas de mísseis antiaéreos, 52 caminhões e outros equipamentos. Porém, durante a segunda guerra do Karabakh, a diáspora armênia e apoiando lobistas em muitos países, incluindo EUA e Canadá, conseguiram impor sanções na indústria de armas turca por causa da eficácia desse sistema de armas. Assim, os Bayraktar TB2s foram apresentados como uma “arma de agressão inaceitável” quando usados na Segunda Guerra de Karabakh; no entanto, foi aceito como salvador quando desempenhou a mesma função na Ucrânia.

Locais culturais e religiosos também foram prejudicados em Karabakh

Depois da declaração no dia 10 de novembro, o Azerbaijão devolveu todos os prisioneiros de guerra armênios capturados durante a Segunda Guerra de Karabakh. O país ainda devolveu os 1600 corpos armênios deixados nas áreas libertadas após a guerra. Porém depois da declaração do dia 10, alguns soldados Armênios atacaram membros do Serviço Azerbaijano e também mataram civis. Como os armênios atacaram civis do Azerbaijão após a Declaração, eles não são aceitos como prisioneiros de guerra. Aliados armênios no Ocidente e representantes da diáspora armênia tentaram manter esta questão na agenda como meio de pressão contra o Azerbaijão.

Após a desocupação do território, vários crimes de guerra cometidos pelos Armênios nos territórios do Azerbaijão durante a primeira guerra e ocupação foram revelados com evidências claras. Elas vieram à tona após a guerra na forma de cidades como Aghdam, Fuzuli e Jabrayil, as quais foram completamente destruídas durante o período de ocupação de 30 anos, da mesma forma, os bens culturais e religiosos do local foram completamente destruídos. A sensibilidade demonstrada na Ucrânia nesta questão não foi demonstrada para o Azerbaijão.

Como um estado que perdeu dezenas de milhares de civis e foi agredido por 30 anos, o Azerbaijão conhece a verdadeira face da guerra. Portanto, o Azerbaijão fez o seu melhor para aliviar a situação humanitária na guerra entre Rússia e Ucrânia, fornecendo 5,6 milhões de dólares em ajuda humanitária à Ucrânia durante a guerra e apoiou a resolução pacífica do conflito no Âmbito da integridade territorial e soberania do seu estado. O Presidente da Ucrânia, Vladimir Zelensky, agradeceu ao Azerbaijão por isso e sugeriu Baku como local de negociação entre Ucrânia e Rússia.

Para resumir, a Armênia ocupa territórios do Azerbaijão a mais de 30 anos, ignorando as resoluções do Conselho de Segurança da ONU. Como resultado da Primeira Guerra Karabakh, mais de 1 milhão de pessoas tornaram-se refugiadas. A razão pela eclosão da Segunda Guerra do Karabakh foi a retirada dos princípios previamente acordados na negociação com o grupo ONCE Minsk e seu desejo de tomar mais terras do Azerbaijão. O agressor nesta guerra foi a Armênia, e o Azerbaijão libertou suas terras usando seu direito de autodefesa sob o Artigo 51 da Carta da ONU. A Armênia disparou foguetes contra cidades civis, matando dezenas. Infelizmente, como moeda de troca, a comunidade internacional não impuseram sanções à Armênia.

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