Aprendizados com o Azerbaijão: multiculturalismo

Artigo 3o colocado do Concurso de Redações sobre o Dia da República, por Thaís Pertel

A República Democrática do Azerbaijão, Terra do Fogo ou apenas Azerbaijão é um país com muitas riquezas, cadeias montanhosas, população acolhedora, pratos culinários diferentes e séculos de história e cultura. Considerado a terceira maior reserva petrolífera do mundo, o Azerbaijão retornou com os investimentos em exploração de gás natural e petróleo na região do Mar Cáspio, o qual abraça o país. Com isso, é de se esperar que a economia continue a crescer significativamente com tais atividades, além de seu outro destaque nacional: a agricultura.

Imagem das “Flame Towers”, localizadas no coração do país, Baku.

Mas então, o que pode ser aprendido com a Terra do Fogo 104 anos depois da proclamação da República, em 1918? É claro que a história dessa república é longa e repleta de ensinamentos valiosos, mas é necessário um destaque para a cultura e o multiculturalismo. Como o próprio nome já diz a “Terra do Fogo” vem da cultura azeri, devido às chamas que costumam aparecer naturalmente devido ao terreno rico em reservas de gás natural, sendo considerado sagrado pelos antigos Zoroastras, que transformaram o Azerbaijão no centro de adoração ao fogo, uma tradição que corre pelas veias e rios do país, tendo homenagem até mesmo no nome “azer”, que significa fogo. Como um símbolo de Nação do Fogo as “Flame Towers” foram construídas, um conjunto de três edifícios grandiosos, com vários painéis de LED, que simbolizam os salpicos de chamas que aparecem devido ao gás natural, uma verdadeira visão de beleza e simbolismo por trás de uma arquitetura impecável que, além de ter elementos modernos e tecnológicos pelo país, também há regiões belíssimas com castelos e anos de tradição, além de montanhas que exibem uma beleza natural.

O multiculturalismo engloba os grupos dominados e excluídos por não pertecerem a uma determinada religião, cultura, classe social e origem e, portanto, é um tópico de extrema importância no século atual, onde mudanças e movimentos sociais são tão importantes para uma sociedade que acompanha a mudança de seu tempo.

Como muitas culturas ao redor do mundo, a azeri também é composta por divernos fenômenos, elementos, pessoas e localidades, os quais, em conjunto também formam e integram o multiculturalismo tão presente e importante para o desenvolvimento de suas tradições. No Azerbaijão, é possível encontrar minorias étnicas russas, judaicas, lezgianas, talysh e outras, o que acrescenta para a diversidade e inclusão. Segundo Bijos, “as culturas nascem da interação consciente ou inconciente entre si, definem parcialmente sua identidade em termos daquilo que consideram ser seu outro significativo e são pelo menos parcialmente multiculturais em suas origens e constituição” (Bijos, 2018 p. 13)[1]. Ou seja, a cultura de determinada região é baseada em sua relação e convivência com outras realidades e elementos de outras culturas, trasnformando aquele amontoado de ideias, pessoas e histórias em uma cultura unificada.

O Azerbaijão, sendo um Estado onde há respeito com as diversas etnias e particularidades culturais é capaz de avançar positivamente em diversos âmbitos e sua cultura “não apenas combina cultura europeia em face da Rússia e a cultura islâmica oriental na visão do Irã, mas também mantém as suas antigas tradições nacionais” (Mahammadali, 2014 p. 5)[2]. Visto isso, a República Democrática do Azerbaijão também ensina, além do respeito por outras etnias e realidades, como o multiculturalismo pode ser exercido e abordado, mas sem excluir suas visões e elementos históricos próprios. Sua diversidade também é espelhada na música, que contém diversos estilos diferentes e junções, como é o caso do jazz-mugham, uma fusão entre o jazz ocidental e o mughan tradicional do Azerbaijão, um estilo musical com traços folclóricos e poéticos, contado histórias e tradições.

Devido à isso, é impotante que o Azerbaijão sirva de exemplo para outros países e culturas ao redor do globo, visando a propagação da coexistência serena entre as civilizações e mostrando que é possível não ter sua cultura própria apagada ou reprimida devido à outros povos e culturas.

REFERÊNCIAS


[1]BIJOS, Leila. O papel do multiculturalismo na política do estado do Azerbaijão. [S. l.]: Editora Espaço Acadêmico, 2018. 118 p. ISBN 978-85-5440-193-1.

[2] MAHAMMADALI, Zeynab Aliyeva. The sources of multiculturalism in Azerbaijan. Multiculturalism, WALIA journal, 2014. Disponível em: http://www.Waliaj.com. Acesso em: 17 maio 2022.

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