Os brasileiros no futsal cazaque 

     O fato de brasileiros serem aficionados por futebol não é novidade para ninguém, sendo possível encontrar jogadores tupiniquins se aventurando em gramados por todo o mundo. Existe um certo reconhecimento da imprensa com relação às histórias de sucesso de brasileiros que obtém sucesso em ligas de futebol bem inusitadas, mas o mesmo não acontece com o futsal. Apesar de muito praticado na América Latina e alguns países europeus como Espanha e Portugal, o futsal não possui o mesmo apelo midiático que sua contraparte outdoors, o que implica em menos destaque para as incríveis e inusitadas histórias que este esporte proporciona, sendo a participação brasileira na ascensão do Cazaquistão como potência do futebol de salão um dos mais notáveis casos da capacidade do esporte de unir culturas. 

     Assim como no futebol, o Brasil é um celeiro de talentos e exporta jogadores para o mundo todo, tendo sido o técnico brasileiro Cacau a fagulha para o estrondoso crescimento cazaque no futsal. Tido como uma espécie de incubadora para jogadores de futebol, o jogo mais rápido e dinâmico nas quadras é usado por clubes de futebol para aprimorar o drible e o controle de bola dos jovens das categorias de base. Desta forma, o jogo no salão torna-se apenas um degrau na trajetória de sucesso de estrelas do futebol mundial como Neymar Junior, Ronaldinho Gaúcho e Andrés Iniesta. Mas o futsal nem sempre é um meio para atingir um fim: atletas como Falcão, Ricardinho e Manoel Tobias trazem um pouco da atenção da imprensa para as histórias de sucesso acontendo dentro dos ginásios do mundo. Mas o caso do Cazaquistão chama atenção devido principalmente ao contraste entre o desempenho nos campos e nas quadras: ocupam a modesta 120ª posição no ranking FIFA de seleções de futebol, ao passo que no futsal são a 7ª potência do planeta. 

     A história do sucesso cazaque nas quadras passa também pelo investimento privado, com o magnata Kairat Orazbekov, fundador do AFC Kairat. O clube do magnata já foi por duas vezes campeão europeu de futsal e conta com diversos brasileiros no elenco. Em entrevista à Agência France-Presse, Orazbekov orgulhosamente disse: “Cuidamos dos nossos talentos brasileiros aqui em Almaty. No Brasil ninguém os conhecia e agora o mundo os conhece.” A naturalização de atletas que não recebiam a atenção dos holofotes em solo brasileiro proporcionou um estrondoso aumento na qualidade do futsal do Cazaquistão, de forma que se destacam o técnico Kaká (não é o ex-jogador de Milan e Real Madrid), o defensor Douglas Junior e principalmente o goleiro Leo Higuita, eleito por 4 vezes o melhor goleiro do mundo na modalidade. 

     A popularidade do futsal nas nações centro-asiáticas vem crescendo vertiginosamente: além do Cazaquistão na 7ª posição global, o Azerbaijão, a Geórgia e o Uzbequistão ocupam respectivamente 13ª, 24ª e 27ª colocações do ranking. O investimento em esporte associado aos bons resultados permite um vislumbre do potencial dessa curiosa parceria esportiva entre cazaques e brasileiros, que deve se tornar cada vez mais forte e benéfica para os envolvidos. 

Seleção cazaque de futsal (Créditos: Federação de Futebol do Cazaquistão) 

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